Pensamentos...

Precisamos a todo custo querer e nos motivar a sermos a imagem, semelhança e caráter de Cristo.  Isso só pode acontecer quando nos dedicamos a sermos discipulados.  O discipulado invoca uma motivação de transparência uns com os outros que nenhuma outra forma de crescimento espiritual pode fazer.  Discipulado que não incomoda, a meu ver, não é discipulado.  Podem ser muitas outras coisas: estudo bíblico, formação de liderança e outras ferramentas boas, mas discipulado chama a responsabilidade mútua.

O discipulado provoca uma pergunta confrontadora: Olha pra mim, você vê Jesus na minha vida e no que sou e faço?

O discipulado em si, provoca um expurgar do nosso ser para que a plenitude do ser de Cristo habite em nós.  Vejo a figura do batismo muito ligada à figura do discipulado.  Como Jesus chama-nos a sermos discípulos através de irmos a todas as nações da Terra batizando, acredito em uma ligação completa entre ambas as partes. 

O batismo fala sobre esse desconectar da antiga natureza para uma nova, da morte do eu para o nascer do Cristo em mim.  Afinal, fomos batizados com o batismo da morte para que a mesma ressurreição de Cristo aconteça em nós.

O discipulado fala sobre um caminhar lado a lado que transmite sinceridade, humildade e renuncia do “eu” para o nascimento do “nós”.  Ambas as decisões são pessoais, pois requerem uma entrega individual do “deus” que habita em nós chamado ego.

Por isso a igreja é em toda sua definição e essência precisa ser uma comunidade de discípulos regenerados.  Se não formamos discípulos de Jesus, então renunciamos na integra a missão do Rei e nos satisfazemos em ser algo, menos igreja. 

As ações sociais na igreja feitas por membros (não discípulos) são atos bons e importantes para a vida em sociedade, mas não representam em si os valores do reino de Deus, pois o que vale para o Rei é a intenção dos seus súditos ao fazerem o que fazem. Sem ser discípulo de Jesus, qualquer ato independente de sua significância e valor, se torna ato e não fonte de vida e obediência.  Nisso vive a essência do ser e a pretensão do ter e fazer.

Por essa razão estou visivelmente incomodado a subir ao púlpito todos os domingos sem fazer certas perguntas sobre essas pessoas que me ouvem e declaram serem ovelhas desse rebanho.  Será que estou pregando e ensinando pequenos cristos ou simpatizantes com a figura perfeita de um ser inalcançável?

Recuso-me a ser igreja omissa e lanço-me a cada dia mais ao discipulado até ver Cristo formado em cada uma daquelas ovelhas preciosas que em Cristo, e somente nele, amo incondicionalmente. Posso afirmar com toda convicção hoje, que o caminho da cruz é o melhor caminho...

 

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